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terça-feira, 25 de outubro de 2016

De volta ao cultivo :: Back to gardening

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As temperaturas já baixaram para os 30ºC - 33ºC, aqui no Qatar. Sinto-me, agora, mais confiante para iniciar a nossa sementeira de 2016. E estou super entusiasmada com isso.
Expôr o S ao hábito de plantar e cuidar daquilo que come, é algo que valorizo imensamente.

Vamos ver como corre a temporada.

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Temperatures have dropped to 30ºC - 33ºC, here in Qatar. I am more confident now, to start our 2016 sowing, and I'm super excited about it. 
Exposing S to the habit of planting and caring for his own food is something I value immensely.

Let's see how the season goes.




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sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Souq

Os minhas últimas duas tardes foram passadas no Souq Waqif, o tradicional mercado de Doha. Sem sombra de dúvida, o meu local favorito até agora.

Num país que se está a construir do zero, sabe bem um pouco desta autenticidade e carácter.
Para nós europeus, faz muito sentido saber de onde viemos e sentir o peso da história a caminhar ao nosso lado. Nunca antes tinha pensado sobre isto, porque nunca antes tinha vivido num sítio assim. 

No Souq podemos encontrar de tudo um pouco, desde cafés e restaurantes, a tecidos, roupa tradicional,  jóias, artesanato, especiarias (ao kilo), animais, materiais de jardinagem, etc. 

A minha primeira e única experiência num Souq árabe, foi em Marrakech, mas gostei muito mais deste porque os vendedores não são tão insistentes. Abordavam-me, é facto,  mas de uma forma muito mais subtil, o que torna a experiência muito mais agradável.

É um sitio verdadeiramente encantador para ir com o Salvador pois está cheio de cores e cheiros diferentes, ali, ele tem muito com que se entreter e pode andar à vontade pois não passam carros. O único desafio é mesmo não o perder de vista...

Para primeira experiência, os ávidos comerciantes de barba branca conseguiram vender-me um saco de amendoins, que o meu petiz namorava, pelo dobro do valor e ainda por cima intragáveis... 
Ainda acreditei que por aqui fosse prática venderem-se amendoins "verdes", por isso mal cheguei a casa coloquei-os no forno para os tostar e eventualmente melhorar-lhes o sabor,  mas não. Os danados eram mesmo, mesmo intragáveis...
Se fiquei furiosa? Nem por isso... Faz parte da experiência do Souq.









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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Uma "Escola" Diferente

Escolher a escola ideal para o Salvador foi uma daquelas fases angustiantes, que a maternidade também traz consigo...

Eu sabia exactamente qual a escola que queria para o meu filho, mas frustrada, não a encontrava em lado nenhum... 

Procurava uma escola que não fosse uma escola... procurava um espaço diferente dos que me apareciam pelo caminho. Um lugar onde o Salvador encontrasse aquilo que lhe fazia falta em casa. Um espaço Aberto, onde pudesse brincar com outros meninos, apenas 3 horas, alguns dias por semana, a fim de ir criando uma rotina, que se queria gradual, e não de choque. Numa fase em que, um dia inteiro fora de casa é muito tempo, mas um dia inteiro com a mamã, é "tempo a mais".

Recompus-me e fui à procura de uma que em termos de metodologia se aproximasse o mais possível da nossa. No entanto, as que encontrei situavam-se a uns bons quilómetros de distância, e bloqueamos na indecisão da mudança de residência...

Uma vez que ele ainda não estava em idade escolar, achamos que aguardar mais um ano ajudaria imenso a tomar uma série de decisões. Até lá, actividades como: natação e música para bebés, resolveriam parte do problema.

Enquanto isto acontecia, aqui ao lado, uma pequena casa abandonada há anos, rodeada de um enorme terreno, ia ganhando cor e vida, novamente. Pessoas trabalhavam afincadamente, do nascer ao pôr do sol. Quem por ali passava diariamente, como nós, perguntava-se: o que sairia dali?
Já bem perto do final do verão, um cartaz é erguido, e ficamos a saber que seria um OTL. 

Quiz saber mais. Percebi o conceito, e fiquei embriagada. Aquela casinha de bonecas, era só e apenas aquilo que eu tinha desistido de procurar. Aquilo que eu me tinha conformado não existir, e para a qual teria que encontrar, contrariada, uma substituição.

Um lugar despretencioso e simples, fruto do sonho e vontade de uma pessoa, à qual, desejo o maior  dos sucessos.
Ali não há brinquedos. Ali há cartão, garrafas e garrafões, rolhas de plástico, folhas e paus secos, à espera de ganhar nova vida. Ali há terra e água, de um furo (protegido), que os meninos podem ver de onde vem. Ali há mangueiras para regar, árvores para trepar, ferramentas de jardinagem, panelas e pratos para cozinhar, o que bem lhes apetecer. Ali não há um programa para seguir. Ali as crianças decidem o que querem ser, ou fazer. Ali  as crianças podem brincar na terra, apanhar pedras, sujar-se, correr, saltar. Ali convivem meninos de todas as idades, não estão divididos por escalões etários, (tenho esta crença de que isso cria muitos conflitos. Pela ordem natural, os mais novos adoram aprender com os mais velhos, e os mais velhos desenvolvem capacidades de cuidar dos mais novos - testado e comprovado por mim). Ali as crianças são convidadas a usar o espaço exterior. Ali estão para chegar pintainhos, e logo ao lado há galinhas, galos, cavalos, póneis e ovelhas que terão cordeirinhos brevemente. Ali as crianças plantam a horta e vêm os seus vegetais crescer. Ali não existe um horário fixo, apenas as horas de que necessitamos. Ali ainda não há quase nada, porque tudo o que há para fazer, há-de ser feito com a ajuda, preciosa, das crianças que nela habitam.







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Uma gratidão enorme emana do meu peito, porque o meu desejo se tornou realidade! Estava escrito. O Universo conspirou comigo.

Finalmente tinha encontrado uma "escola" para o Salvador, e aparentemente não havia sido eu a encontra-la, foi antes ela, a vir ao meu encontro.

É completamente errado chamar-lhe escola, não sendo essa a sua designação oficial. Eu sei. Porém,  é assim que eu a sinto. Depois de meses à procura de uma, encontrar esta casa encantada, e, chamar-lhe outro nome, torna-se difícil para mim. Pois ela representa tudo aquilo que desejei para o Salvador, nesta fase da sua vida - por isso, aqui só para nós, que ninguém nos ouve, eu vou continuar a chamar-lhe escola, está bem?


*Fotos com direitos.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

E de repente já é outono outra vez :: And suddenly it's autumn again

Sabemos que já passamos dos 30 quando as estações do ano parecem rodar de forma mais célere... 

Este ano, a chegado do Equinócio de Outono foi marcado por dois acontecimentos, que eu vou apelidar de, históricos, aqui em casa.

Primeiro porque foi a primeira, primeiríssima vez que o Salvador se separou totalmente de mim...
1º dia de "escolinha" para ele. (Num próximo post, explicarei o porquê das aspas.)

A mamã portou-se lindamente à chegada, e ele também.
o problema foi a saída, ele com demonstrações de saudades bem evidentes e eu em ressaca total, três horas sem o meu apêndice foi doloroso, três horas para fazer o que bem nos apetecesse e um vazio imenso...

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We know that we are over 30 when the seasons seem to turn around faster...

This year, Fall Equinox brought two historical events to our home.

Firstly because, it's been the very first time that Salvador totally separated from me... 
1st day of "kindergarten" for him. (In a future post, I will explain why the quotation marks.)

Mom and son behaved very well at the arrival, the problem was the reunion, the way he ran to us and hug me was a clear sign of longing, and I, well I felt like having an hangover, three hours without my appendix was truly painful. Three hours to do whatever we like and a huge emptiness...

Hora da saída, todo contente com os papás / Heading home, all happy with mum and dad.

Depois porque celebramos o nosso dia dos namorados - mas não um dia dos namorados qualquer, senão aquele em que atingi uma milestone importante (e que me parecia sempre muito longínqua).

Trocando por miúdos, completamos tantos anos de relação, como tantos tinha eu no seu inicio, quer isto dizer que já estou a somar mais dias ao lado da minha cara metade do que dias passei comigo mesma...
(Isto bate forte na nossa consciência acreditem...)


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Secondly because we celebrated our Valentine's Day - not a regular valentine's though, but the one I reached a major milestone (and always seemed very far away). 

In other words, we completed the same amount of years together as I was at its beginning, meaning that I'm already adding more days next to my better half than the days I spent with myself alone...
(This hits hard in our consciousness, believe me...)

Parabéns a nós / Cheers to us!  

Emociona-me pensar nesta métrica perfeita do nosso número mágico.
Quem haveria de adivinhar, bem lá atrás, que deixaríamos a semente do nosso amor começar a florescer sozinha nesse mesmo dia?

Querido Outono, foste brutal este ano!

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It thrills me to think about this perfect metric of our magic number
Who would have guessed, way back there, that we would leave the seed of our love begin to flourish by itself, in the exact same day?

Dear autumn, you were amazing this year!


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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

E agora a melhor parte... :: And now the best part...

Depois dos acontecimentos stressantes que marcaram o inicio da nossa escapadela a Barcelona, as impressões sobre a cidade não podiam ser melhores.

Provavelmente por Barcelona ser mesmo aqui ao lado, nunca a tínhamos visitado antes... 
What a shame!! 

Quando já se coleciona um número considerável de viagens, começa a ser difícil encontrar o deslumbramento. (Também vos acontece?)
Mas Barcelona deslumbra. Barcelona tem ingredientes de sobra para deslumbrar por todo o lado. Barcelona tem tudo! Barcelona irradia vida, há cultura, artistas de rua, movimento, caras felizes, esplanadas, praias, edifícios que merecem todos os elogios e mais alguns. Barcelona é Antoni Gaudí,  e eu apaixonei-me por ele.

O tempo estava maravilhoso, nem demasiado quente, nem demasiado frio, justamente o ideal para este tipo de visita. Vimos tudo aquilo que queríamos ver, desfrutamos sem pressas de tudo o que os nossos olhos alcançavam.
Revi duas amigas do coração, e matei saudades da minha madrinha que se juntou a nós por um dia.
O Salvador adorou a diversão que os artistas de rua lhe proporcionavam com as bolas de sabão, assim como os inúmeros playgrounds que encontrávamos pelo caminho.
Passamos uma manhã fantástica no belissimo Hospital-museu de Sant Pau (jamais pensei usar tal adjectivo para um hospital).
Admiramos a espectacular arquitectura das casas Batlló e Milò, adoramos caminhar pelo Passeig de Gràcia, fascinamos-nos com a Sagrada Família.
À noite, o fabuloso espectáculo de luzes na Plaça d' Espanya fez as nossas delícias.
Bebemos uma caña no top floor do El Corte Inglés e aproveitamos a vista estupenda para a Plaça de Catalunya, isto enquanto o pôr do sol acontecia...
Em La Barceloneta, molhamos o pé no Mediterrâneo e apeteceu tanto mergulhar...
Descemos Las Ramblas e perdemos-nos pelas ruas do Barrio Gótico, subimos até Montjuic e até ao Parc Guel (com carrinho, grande aventura!)

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After the stressful events that marked the beginning of our trip to Barcelona, ​​the impression of the city could not have been better.

Probably because Barcelona is just around the corner, we had never been visitors before...
What a shame!!

When one already collects a considerable number of trips, it starts to be difficult to get a dazzle. (Does the same happens to you?)
But Barcelona fascinates immediately. Barcelona has many ingredients to outface everybody. Barcelona has it all! Barcelona radiates life, its full of culture, street performers, movement, terraces, beaches, happy faces, buildings that deserve all the praises and many more. Barcelona is Antoni Gaudí, and I fell in love with him.

The weather was wonderful, not too hot, not too cold, just right for this type of visit. We saw everything we wanted to see, enjoyed unhurried, all that our eyes could see.
I meet two dear friends, and spend some time with my godmother, who joined us for a day.
Salvador loved all the fun that street performers gave him with their soap bubbles, as well as the numerous playgrounds we met along the way.
We spent a fantastic morning in beautiful Hospital-museum of Sant Pau (never thought I'd use this adjective for an hospital).
Admired the spectacular architecture of Casa Batlló and Milò, loved walking in Passeig de Gràcia, got fascinated by Sagrada Família.
At night, the fabulous light show in Plaça d'Espanya, made our delights.
We drank a caña on the top floor of El Corte Inglés and enjoyed the wonderful views towards Plaça de Catalunya at sunset...
In La Barceloneta, we'd put our feet in the Mediterranean water, and wished to dive...
We walked down Las Ramblas and lost ourselves in Barrio Gótico, climbed up to Montjuic and to Parc Guel (with stroller, great adventure!)


Comemos imensos bocadillos de jamón con tomate (por mim, podia ser ao almoço e ao jantar). 
We ate a lot of  bocadillos de jamón con tomate  (for me, could be at lunch and dinner time).


E assistir "secretamente" à cumplicidade entre estes dois, foi um extra que me encheu o coração.
And "secretly"  testify the complicity between these two, was an extra that absolutely filled up my heart.


Barcelona, roubaste-me o coração! 
Barcelona, you stole my heart!


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Há dias assim...

Acordamos de manhã e acreditamos todos os dias, que mesmo não dominando o acaso, a jornada ha-de decorrer com desvios mínimos ao planeado. 
O dia da nossa viagem a Barcelona foi um desses dias em que plano algum (ou qualquer vislumbre dele) se manifestou como previsto.

Este ano a nossa semana de férias, teve um pequeno contratempo, lidamos com ele da melhor forma que conseguimos, ansiando por a compensar com este saltinho ao país vizinho.

Desde que saímos de casa, até que embarcamos, foi uma verdadeira loucura.

O check-in online declinado no dia anterior, marca o inicio da saga. Segue-se depois uma correria absolutamente impossível de descrever até ao balcão de check-in, os acontecimentos até lá chegar já eram claramente indicadores de energias menos boas naquele dia, mas nunca pensamos que pudessem piorar de forma crescente...

A voz da funcionária informa-nos então que o voo está overbooked. O Carlos percebeu de imediato a dimensão da coisa, eu demorei mais algum tempo...

Overbooked??? Mas isso existe??? Vendem-se mesmo lugares fictícios, que afinal não existem!
Mas as pessoas não têm planos feitos para as suas viagens? Alojamentos marcados? Voos com escalas? Acontecimentos importantes e irrepetíveis onde ir, que podem ficar completamente arruinados?

Não são avarias técnicas ou cancelamentos que ponham em risco a vida das pessoas, são puras estratégias das operadoras aéreas.
Mas quem é que autorizou esta "pouca vergonha"?

A solução dada foi esperar na porta de embarque. Segundo a funcionária, havia desistências "com muita frequência"...


Não houve qualquer desistência.
Ficamos nós, e mais 3 pessoas à porta nesse tal de, "overbooking".

Voltar a sair da zona de embarque, reclamar no balcão de atendimento ao cliente, gerir as birras do Salvador (que andava desde manhãzinha em modo logístico e já lhe pesava o sono)voltar a entrar para recuperar a mala de porão, voltar a sair para um novo check-in, voltar a passar pela segurança e esperar 6 horas pelo próximo voo...


Mas a história não acaba aqui.
Passados 15 mins da hora prevista para o novo embarque, ninguém estava lá para o fazer ou dar  qualquer explicação...

Uma hora depois, eventualmente são distribuídos vouchers para jantar...

Aguardar. Olhos constantemente postos nos ecrãs.
Exaustão - o Salvador continuava sem dormir, não tinha apetite e estávamos já sem ideias para o manter entretido - encontrou alguma tranquilidade no parque infantil.

Informação de nova porta às 23h40...


As luzes vão-se apagando aqui e ali, as lojas vão-se fechando, de repente conhecemos o Aeroporto da Portela em quase perfeito silêncio - de certa forma sabia bem - ajudava a diminuir a pressão e o stress que habitavam o dia inteiro dentro de nós.

Então os ecrãs, disparam a informação de que o voo tinha sido cancelado.


Cancelado??
A sério?????

Parecia-me demasiado absurdo e ridículo tudo isto. Duas situações caricatas no mesmo dia, com as mesmas pessoas, com a mesma companhia aérea?

O que veio depois, foi ainda pior do que o que eu já tinha visto durante todo o dia.
Mais de 200 pessoas a correr e a atropelar-se escadas fora até ao balcão de apoio ao cliente, todos precisavam de soluções para os seus problemas, que eram mais importantes que os dos seus semelhantes.

Não invejei o lugar das duas funcionarias...



Havia um passageiro com mobilidade reduzida e mais dois casais com crianças exaustas.
Todos tínhamos prioridade por direito, mas estávamos na fila.
Uma equipa de back-up, apressou-se a vir ajudar aquelas duas pobres criaturas. Filtraram os prioritários e mandaram-nos passar à frente.

O Salvador chorava, esperneava, esfregava os olhos, atirava-se para trás... Desconcertava-me pensar na confusão e cansaço que iriam naquela cabeçinha...


Testemunhei depois uma amostra daquilo que é o desespero humano puro e duro.
Não se tratava de fome nem de sede mas havia gente por todo o lado a reclamar das nossas prioridades, grupos de pessoas que se queriam organizar para exigir uma série de coisas, outras que faziam de tudo para passar à frente dos outros, circulavam noticias contraditórias por todo o lado...

A funcionária quando nos viu de novo ali nem queria acreditar! Mandou-nos passar imediatamente.

O casal que se encontrava à nossa frente, com o qual estávamos em contacto, e a quem eu mesma fui informar que o voo tinha sido cancelado, grita que também eles têm uma criança!

Sair dali era a única coisa que eu desejava...

Dormimos 5 horas mal dormidas.

Chegamos ao nosso destino 32 horas depois.

O céu estava limpo, a temperatura ideal, respiramos fundo e atiramos mais uma vez para trás das costas o peso de tudo aquilo que não controlamos - afinal não somos refugiados de guerra, não passamos fome, nem sede, não atravessamos nenhum deserto a pé -  estamos juntos com saúde e paz, existem compensações que se podem pedir nestas circunstâncias. Relativizar, colocar os acontecimentos em perspectiva, aceitar, ser resiliente e sobretudo... Manter o bom senso.

P.S. - Desculpem a qualidade das fotos... foram mesmo as possíveis.

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sexta-feira, 27 de março de 2015

IKEA Street Art

Hoje sinto-me uma privilegiada por ter sido convidada a conhecer em primeira-mão a coleção Street Art que a IKEA irá lançar no dia 1 de Abril, em Portugal.

Foi um evento muito agradável e descontraído, num local que lhe vestia completamente a pele, foi a minha primeira visita ao Museu da Carris de Lisboa, mas irei certamente voltar (até porque o Salvador, que normalmente acorda com "o solavanco de um soluço", dormiu o tempo todo...).

Mas afinal o que é a Street Art
A Street Art não é mais do que a expansão da democratização do design, que a IKEA personifica tão bem no âmbito das peças decorativas e de mobiliário, mas agora também ao nível da arte. 
É no fundo levar um pouco da arte de rua (muitas vezes considerada menos nobre), para dentro das nossas casas. 

Existem 12 posters diferentes, pintados por artistas de todo o mundo, cada um com a sua mensagem única. Vão estar à venda por apenas 9,99€ e têm uma edição limitada. Podem conhece-los todos aqui, assim como os seus artistas. 

Perante um conceito novo como este, foi muito interessante ver o cuidado que a organização teve em criar vários espaços para tornar aquelas imagens "encaixáveis" em diferentes possibilidades de decoração (infelizmente as minhas fotos não ficaram dignas de serem "transmitidas", mas espreitem aqui para ficarem com uma ideia). 

Eu tenho 3 favoritos, mas consegui identificar-me de imediato com um em especial: The Eagle, a corajosa e valente águia do artista chinês Hua Tunan.

Obrigada IKEA Portugal. 



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segunda-feira, 16 de março de 2015

5 dias, 5 projectos "Mãos À Obra" :: 5 days, 5 projects "Mãos À Obra"

Mãos À Obra, de Constança Cabral é "o livro do ano" para todos os amantes das manualidades. 
Costura, culinária, projectos faça você mesmo e jardinagem, um belo resumo das minhas próprias paixões.

Descobri a Constança (também conhecida como Concha) pela boca da minha prima S, li um post, depois outro, depois outro e nunca mais consegui parar. Acima de tudo aprecio o seu modo de vida, que sinto mais próximo do meu como nenhum outro. O fazer à mão, o viver de acordo com as estações do ano e a luta contra o consumismo são valores que admiro imenso na Constança.

Depois de seguir o Saídos da Concha à tanto tempo, senti um enorme orgulho quando anunciou a publicação do seu livro, que tratei de encomendar logo no dia do lançamento (não fossem esgotar).

As fotos são todas lindíssimas e imagine-se foram todas tiradas pela própria Constança e pelo marido Tiago - se não estamos perante uma auto-didacta na verdadeira ascensão da palavra não sei como lhe chamar.

Nos próximos dias os meus posts serão todos sobre projectos inspirados inteiramente neste livro, que recomendo vivamente.

Parabéns Constança, és uma grande fonte de inspiração para mim e mereces o maior sucesso do mundo!

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"Mãos À Obra" by Constança Cabral is the book of the year for all handicraft's lovers.
Sewing, cooking, DIY projects and gardening, are some of the topics that Constança explores on her book, and a lovely summary of everything I love myself.

I discovered Constança (a.k.a Concha) trough my cousin S. I read a post, then another, then another and never managed to stop. 
Above all I appreciate her lifestyle, which I feel closer to mime like no other. The handmade approach, the living according to seasons and the fight against consumerism are values that I deeply admire on her.

After following Saídos da Concha for so long, I felt an enourmous pride of her when she announced the publication of her 1st book.
The photos are beautiful, and they were all taken by Constança herself and her husband Tiago. If we are not in front of a real autodidact, I don't know any other way to describe her.

In the coming days my posts are entirely inspired by this book, which I highly recommend.

Congratulations once again Constança, you're a great font of inspiration to me and deserve all the success there is. 


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Going Toddler - Tape III

A nossa casa continua a acompanhar o crescimento, a evolução e as crescentes necessidades do nosso pequeno Toddler ("sagas" anteriores, aqui e aqui).

E como o Inverno também significa passar mais tempo dentro de casa:

- A sala perdeu dois cadeirões de leitura e "sonequices" (que adorávamos) para que ele pudesse ter um espaço dedicado para brincar ali - não posso dizer que tenha sido uma alteração dramática porque em boa verdade, a vida quotidiana dos últimos 24 meses não tem deixado muito espaço para que deles pudéssemos usufruir.

Our house continues to accommodate our toddler's crescent needs and growth (you can revisit previous "sagas", here and here).

As winter also means spending more time indoors;

- We've lost our two reading armchairs in the living room, so that he could have a dedicated space to play there - I can not say it was a dramatic loss because truth to be said, our daily life in the past 24 months has not left many room to enjoy them properly.



- O meu atelier, também continua a ter um cantinho dedicado, basta abrir a porta e espalhar brinquedos pelo chão.
Quando há visitas, ninguém dá por nada.

- Likewise my creative space continues to have a dedicated corner for him to play, it's a matter of opening the door and start spreading toys on the floor.
If there are guests in the house, doors are closed and nobody will notice anything.



- Na cozinha existe um set completo: aspirador, vassoura e pá do lixo, que ele se apressa a ir buscar sempre que nos vê pegar nos nossos.
A sua participação em todas as tarefas cá de casa faz muito sentido para nós. É vulgar ele "ajudar" a preparar as refeições, a fazer as camas ou a limpar. De todas as brincadeiras as suas preferidas são estas em que se sente útil ou simplesmente a fazer parte do que os adultos fazem.

- In the kitchen there is a complete set: vacuum cleaner, broom and shovel the garbage, which he's fast to seek whenever we are using ours.
His participation in the housekeeping make a lot of sense to us, therefore it's quite common having his "help" to prepare meals, make up the beds or general cleaning. 
From all the games we play this is probably one of his favorites, the one he feels useful or just part of what the adults do.


Criar espaço para uma criança numa casa grande é fácil, mas numa mais pequena também não é impossível. O importante é que a casa acompanhe as nossas necessidades a cada momento.

Make room for a toddler in a big house is easy, but in a smaller one is not impossible either. The important thing is that the house adapts to our own needs at every moment.
To be continued...

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#IKEAPortugal #IKEA Portugal #Ikeadascriancas #ikeadascrianças #IKEA #toddler #home #decoratingwithkids

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Birthday boy and some birthday tips

2 anos!! O nosso sementinha já fez dois anos!!!

Tem sido tão maravilhoso vê-lo crescer tão feliz e saudável que no dia-a-dia nem nos apercebemos do tempo que passa. Isto acontece apenas com as coisas boas, verdade?

E como prometido, aqui fica o registo de alguns detalhes da festa que preparamos para ele e também algumas dicas que poderão ser úteis para as vossas próprias festas.

Tema: Nuvens

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2 years !! Our little man has just completed two years!!!

It's been so wonderful to see him grow so happily  and healthy that we don't always realize that the time passed by so quickly.  This only happens with good things, am I right?

As promised, I am posting some details of the birthday party we'd prepared for him, as well as  some tips that may be useful for your own parties.

Theme: Clouds


A aparência da mesa importa, a simetria também!

Este ano usei copos de café para servir as sobremesas de forma individual, resulta bem visualmente e têm simplesmente a medida ideal.
Ideias para este tipo de sobremesas: Leite creme, cheesecake, gelatina, pudins flan, mousses, etc.

Estes copos podem ser encontrados à venda em qualquer supermercado, na secção de artigos para festas.

The appearance of the table matters, symmetry too!

This year I used coffee cups to serve the desserts individually, it works well visually and they simply hold the ideal quantity.

These cups can be found for sale in any supermarket.


Da mesma forma, usei formas de papel para servir os bolos. A ideia serve para qualquer tipo de bolo,  basta corta-lo em pequenos quadrados depois de frio e decorar a gosto.

Mesmo que os convidados não adiram muito a esta nova iguaria (foi o nosso caso), Macarons embelezam e acrescentam requinte a qualquer mesa ;)

Samewise I used these paper baking cups to serve cakes. The idea works with any type of cake, just cut it into small squares after cake is cold and decorate to taste.

Even if guests do not adhere to this new delicacy (as it happened in our case), Macarons embellish and add elegance to any table;)


Para as lembranças, fiz bolachas em forma de nuvem (para manter o tema), e acrescentei alguns marshmallows.

Para os saquinhos ocorreu-me usar estes de fecho zip onde agrafei depois a nota de agradecimento de presença personalizada, feita em word (também com nuvens, pois claro!).

Muito simples, económico e de resultado TOP.

Encontrar sacos lisos (sem padrões) pode não ser uma tarefa fácil, eu só encontrei estes.

For the gift bags, I made some biscuits, to which I added some marshmallows.

For the bags, it occurred to me to use these zip bags where I'd then stapled a customized thank you note, made in word (also with clouds of course!).

Very simple, economic and with a TOP result.


Aniversários ao fim-de-semana, só acontecem a cada 7 - 8 anos, para mim porém o dia do aniversário é aquele que tem mais magia.

Em linha com o mesmo tema, fiz o bolo Nº1 para a festa em família.

Em ambos os dias o nosso menino sentiu que era um ser muito especial e querido e divertiu-se messssssssssmo "à grande".

Birthdays falling in a weekend just happen every 7 - 8 years, but for me the magic of it all is on the day.
In line with the theme, I made this cake No. 1 for the family party.

On both days our little man felt like a very special and dear being and had great, great fun.

   

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Novo Ano, nova página :: New Year, new page

É ainda com a voz rouca e pouca vontade de muito fazer que vos escrevo este meu primeiro post do ano. 
A Dona Gripe desta vez não perdeu tempo e não só apareceu mais forte do que alguma vez me lembro, tocando cada um dos membros da família, como também lhe está a custar muito mais a ir embora... 

Não obstante, estamos perante o início de um Novo Ano!!!
Um Novo Ano que inevitavelmente traz consigo a força mais motivadora de todas: a da renovação da esperança! 

Doze novas folhas por escrever, novos objectivos e projectos por desenvolver, o desejo de mudar alguma coisa...

Que seja um Excelente Ano para todos nós, com saúde, liberdade e muita criatividade!
       

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It is still with some hoarseness in my voice and very little desire to do anything that I am writing my first post of the year.

Mr. Flu didn't want to waste any time this year, and did not only appeared stronger than ever, touching each member of the family, but also isn't showing any interest on going away any time soon...

Nevertheless, this is the beginning of a New Year!!!
A New Year which inevitably brings with itself the more motivating force of all: the renewal of hope!

Twelve new pages to be written, new objectives and projects to develop, the desire to change something...

May this be a Great Year for all of us, with health, freedom and lots of creativity!
    


Image Credits  | Fantásticos Pedro e Yolanda do MYA&T

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

A arte de largar :: The letting go art

*

As palavras faltam, a voz embarga-se, o vocabulário não é suficiente, a dor insuportável, a pena indescritível...

É assim a perda de um filho... não há muito mais a acrescentar... 

Torna-se desagradável qualquer comentário vindo de quem não imagina exactamente o que se sente. Escolhe-se o isolamento em busca do equilíbrio perdido, aprende-se a "andar" novamente, só que sob areias movediças...
Repensa-se a forma de vida, uns dias perdemos-nos, outros reencontramos-nos, uns dias achamos que queremos ir para a direita outros temos a certeza que vamos para a esquerda, uns dias queremos salvar o mundo, outros queremos apenas ficar no nosso canto...

Depois aprende-se a viver com esta marca - não se pode viver zangado com o mundo só porque a vida dos outros continua no dia seguinte enquanto a nossa ficou virada do avesso... 

Eles partem antes de nós, e isso por si só é desespero suficiente para levar parte de nós com eles.

Mas se eles levam parte de nós com eles, também é verdade que deixam parte deles connosco, e isso não é mau, isso é aliás muito bom. 

Saber que o meu filho fez de mim uma pessoa melhor, é bom; 
saber que o meu filho fez de mim uma mãe muito melhor do que poderia alguma vez ter sido, é bom; 
saber que o meu filho me obrigou a renascer, é bom;
saber que o meu filho me libertou de medos, dúvidas e dramas irrelevantes, é bom;
saber que o meu filho me mostrou o verdadeiro sentido da vida, é bom;
saber que o meu filho me obrigou a sair da minha zona de conforto, é bom; 
saber que o meu filho me ensinou a não ter pena de mim mesma, é bom;
saber que o meu filho me ensinou que as coisas não acontecem só na porta do vizinho, é bom;
saber que o meu filho me ensinou a priorizar o que me traz real felicidade, é bom
saber que o meu filho me ajudou a descobrir uma capacidade de resilência enorme em mim, é bom
saber que o meu filho fez de mim uma pessoa muito mais feliz, é muitíssimo bom;
...

Deveria no entanto ter sido eu a partir primeiro, era a minha vida que o Criador deveria ter aceite em troca da dele, era eu que lhe devia ter ensinado todas estas coisas...

Mas se existe esta ordem desalinhada tenho que acreditar que foi por algum motivo superior, tenho que crer que algum dia fará sentido, cabe-me a mim garantir que a sua curta vida valeu a pena ser vivida.
Não será ele a ter necessidade que a mãe se sinta orgulhosa dele, mas será a mãe a fazer de tudo para que ele se sinta orgulhoso dela. 

A arte de largar, ou de aceitar traz apaziguamento, serenidade, liberdade e nova vontade de viver e sorrir, sem culpa.

Foi esta ordem de pensamentos que me orientou desde a nossa despedida e manteve a minha sanidade intacta.

Mas hoje, só hoje, vou pedir permissão para me sentir um ser miserável e para remexer no livro das memórias em busca do teu cheirinho e do teu calor, das batidas do teu coração e do som da tua respiração cansada e sonora, hoje preciso de sentir pena de mim mesma... Porque se este dia não existisse no calendário não teria porque me continuar a soar injusto não te poder oferecer o meu colo, o meu amor e o meu carinho... 

Amanhã vou voltar a vestir o meu fato de rocha e pedra, amanhã vou sorrir de novo para que a estrela mais brilhante do céu possa brilhar com todo o seu esplendor, amanhã logo de manhã, pode ser? 

**********************************

The words fail, the voice choked, the vocabulary is not enough, the pain unbearable, the sorrow unspeakable...

The loss of a child is like that... there isn't much more to add...

Any comments from those who do not have a clue of what exactly it feels like, become unpleasant.
We start by choosing isolation hopping that some of the lost balance will be restored, we've got to learn how to "walk" again, only that on shifting sands...
We rethink our way of life up, some days we lose ourselves, others we find ourselves, some days we want to go right, the other we are sure we go left, some days we want to save the world, others we just want to be left alone in our corner...

Eventually we learn how to live with this label - we cannot keep living our life feeling angry with the entire world just because other people's lives continue the next day as ours was thrown upside down...

They leave before us, and that alone is enough reason to say that part of us was taken away with them.

But if they take part of us with them, it is also true that some part of them stay with us, and that's not bad, that is actually very good.

To know that my son has made me a better person, is good;
to know that my son has made me a much better mother than I could ever have been, is good;
to know that my son forced me to be reborn, is good;
to know that my son set me free from fears, doubts and irrelevant dramas, is good;
to know that my son showed me the true meaning of life is good;
to know that my son forced me to live outside my comfort zone is good;
to know that my son taught me not to feel pity of myself, is good;
to know that my son taught me that things don't just happen in the next door, is good;
to know that my son taught me to prioritize what brings me real happiness, is good;
to know that my son helped me to discover a huge resilience capability, is good
to know that my son made myself be a happier person, is exceedingly good;

However it should have been my life taken away first, the Creator should have accepted it in exchange of his, it should have be my son learning from me all these things, not the other way around...

But if the order was to be unaligned like this, I have to believe that it was for a greater cause, I have to believe that someday I will make some sense out of it, it is my personal duty to ensure that his short life was worth living.

He will not need to make mum's proud of him, but will the mum do anything to make him feel proud of her everyday.

The letting go art (or acceptance) brings appeasement, serenity, freedom and a new will to live and laugh without guilt.

These thoughts guided me since our goodbyes and kept my sanity intact.

But today, just today, I will ask permission to feel miserable and to reopen the memory book in search of your smell, your warmth, your heart beats and the sound of your tired breath. 
Today I need to feel sorry for myself because if this day didn't exist in the calendar, it wouldn't have to continue to sound unfair to me that I can't offer you my arms, my love and my affection...

Tomorrow I'll be wearing back my rock and stone suit, tomorrow I will smile again so that the brightest star in the sky can shine with all its splendor. Tomorrow, early in the morning, is that ok?



*Créditos imagem / Image credits | Be Baubles Jewelry

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