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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sobre o nosso primeiro Thanksgiving :: About our first Thanksgiving

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Este ano celebramos pela primeira vez o dia de Acção de Graças. De todas as tradições que se têm vindo a exportar para a nossa cultura, esta é aquela mais apelativa, para mim.
A casa cheirava a assado, a canela e a spiced orange pomander balls.

sábado, 28 de outubro de 2017

Honestidade :: Honesty

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A pergunta que tem ocupado o meu pensamento nas últimas semanas é: Como é que se reinicia a comunicação com o nosso público depois de uma longa ausência?

Tentei escrever de manhã cedo; durante a tarde; quando todos dormiam; ao fim‑de‑semana e durante a semana; no conforto dos meus lençóis; no sofá; na varanda e na secretária. Ao sabor de chá, de café e de limonada.
Quis escrever aquando do fim das férias e inicio do ano lectivo, quis escrever sobre a realidade da volta ao activo, quis escrever sobre duas questões da maternidade em particular, quis dar-vos a conhecer sobre o meu último artigo para a KIDE Magazine, (que já agora, podem ler aqui).

Que desconforto!! Que mau estar!! Nada saía de cá de dentro. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Balanço de um ano a terminar

Chegou a hora de fazer o balanço de mais um ano, a terminar. 

Gosto da sensação de olhar para ele, agora, como se planasse sobre uma floresta. Tudo me parece muito mais fácil, lógico e interessante do que quando me encontrava no meio do matagal, em que a sensação era antes a de uma minúscula formiga, a tentar chegar, sã e salva, ao formigueiro com a sua migalha de pão. 

Lembro-me das dúvidas e receios antes da partida. Lembro-me da sensação de murro no estômago, nos primeiros meses da minha adaptação. Lembro-me do momento em que tudo isso se dissipou. Lembro-me da amarga sensação de me sentir esquecida, e da doce sensação de cada uma das casualidades que foram fazendo dos nossos dias, os dias cheios de luz que são hoje. 

A distância, que era a maior dificuldade que 2016 apresentava, tem sido afinal, uma oportunidade muito frutífera. Sem o peso do meu passado, as pessoas de sempre e as expectativas criadas sobre mim, é muito mais fácil levar a cabo mudanças estruturais, que elevam o meu estado de consciência superior, nesta caminhada interna - que nunca está acabada - e que eu não sei viver, sem fazer.

Começar de novo, parece fazer parte do meu karma. E eu tenho aprendido que tal não é necessariamente mau. Metaforicamente falando, começar de novo é quase como acordar após um furacão, aprende-se a viver com o que, e/ou com quem, escolheu permanecer conosco, a vida é caótica por momentos, mas ganha contornos muito mais harmoniosos a médio e longo prazo.

Tudo está certo, tudo faz sentido.

Desejo para mim, como para todos vós, que 2017 seja terno, meigo, sábio e cheio de momentos felizes. Que saibamos encontrar a luz da alegria mesmo nos momentos mais infelizes. 

F E L I Z  2 0 1 7!!!!


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terça-feira, 22 de novembro de 2016

When dark meets bright

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"Os dias mais marcantes são aqueles em que a gente sai deles um pouco modificados. São os dias que nos lembraremos para sempre, não importa quanto tempo passe. São os dias em que, sem anestesia alguma, somos confrontados com as verdades que nos fazem crescer, e de alguma maneira, enrijecer. 
...
Os dias mais marcantes são aqueles em que a vida contraria o óbvio. Em que os começos difíceis são massacrados pela força de um final feliz. Em que a brisa suave do pensamento leva embora um furacão de sentimentos. Dias em que a urgência de ser feliz aprende a ser calmaria do encantamento. E tempo em que toda a poesia grita em detrimento de todo barulho que há em mim…

*************
"The most remarkable days are those in which we feel modified. These are the days we will remember forever, no matter how much time passes. These are the days when, without anesthesia, we are confronted with the truths that make us grow, and somehow stiffen.
...
The most remarkable days are those in which life runs opposite side to the obvious. In which the difficult beginnings are massacred by the force of a happy ending. In which the gentle breeze of a thought washes away a hurricane of feelings. The days when the urge to be happy learns to be the lull of enchantment. And time when all poetry shouts in detriment of all the noise that is within me... "

6 anos / 6 years

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sábado, 5 de novembro de 2016

Altamente recomendado :: Highly recommended

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Completamente rendida a este documentário, dirigido por Estela Renner, Maio, de 2016*. Que faz uma profunda reflexão sobre a importância dos primeiros anos de vida da criança (0-6 anos), no seu desenvolvimento emocional, cognitivo e social, de acordo com os últimos avanços da neurociência.

Neste fim-de-semana, recomendo, recomendo, recomendo!

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Completely surrendered to this documentary, directed by Estela Renner, May 2016 *. 
A deep reflection about the importance of the first years of the child's life (0-6 years), on his emotional, cognitive and social development, according to the latest advances in neuroscience.


This weekend, I highly recommend it!


“Parents sometimes worry that they don’t have the money, they don’t have the time, or they can’t buy their children fancy toys, and computers, and iPads and iPhones. What I’d like to tell them is that is not those toys. You’re the most important thing in that child’s life. It’s you. You’re the best teacher, the first teacher. And it’s the things that come for free: It’s your words, it’s your love, it’s your play, it’s that connection that you build between you and your child, that means all the difference in the world”


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*Available in Netflix, iTunnes and Google Play.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mama's boy

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"Como tua mãe, o meu trabalho é apenas semear. Semear o tempo todo. Se as sementes forem fortes, um dia colheremos frutos. Se não forem fortes o suficiente, viajarei pelo mundo inteiro na busca da semente que melhor se adapte ao teu tipo de solo."
Sofia 

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"As your mum, my only job is to sow. Sow all the time. If the seeds are strong, one day we might reap the fruits. If they aren't strong enough, I will travel the world searching for the one seed that best fits your type of soil." 
 Sofia



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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Uma história para pensar :: A story to think about

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Há duas histórias que se cruzaram na minha caminhada para mudar a minha vida. Uma delas é esta:
Era uma vez um ovo de gaivota que rolou para uma capoeira de galinhas.Quando a gaivota nasceu, olhou à sua volta e só viu galinhas. Achando que era uma delas, cresceu a imita-las, mas sempre se sentiu diferente e algo desajeitada. Certo dia, a gaivota olhou para o céu e viu gaivotas a voar. Ficou de tal forma maravilhada que perguntou a outra galinha o que era aquilo. A galinha respondeu-lhe que era uma gaivota. A gaivota ficou fascinada com o que vira e insistiu com a galinha. Perguntou-lhe porque é que elas não voavam ou planavam como as gaivotas. A galinha respondeu-lhe que o lugar delas era na capoeira, a comer milho, e explicou-lhe a diferença entre as galinhas e as gaivotas. A gaivota ficou triste porque, afinal, ela preferia ser como aquela gaivota que voava, sem saber que também ela, era uma delas. Então, resignou-se com a sua condição de galinha e ficou naquela capoeira durante toda a sua vida.
In Chicken Soup for the Soul, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen

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There are two stories that crossed my path to change my life. One of them is this: 
Once upon a time a seagull egg rolled into a chicken's farmyard. When the gull was born, she looked around and saw only chickens. Thinking she was one of them, she grew up imitating them, but always felt different and clumsy. One day, the gull looked up to the sky and saw seagulls flying. That was such a wonder for her, so she asked to a chicken what was that. The chicken replied that it was a seagull. The gull was fascinated by what she had seen and asked why they did not fly or glide, like seagulls. Chicken answered that their place was in the farmyard, eating corn, and explained the difference between the chickens and the seagulls. The gull was sad because, after all, she would rather prefer to be like the flying seagulls. Unaware that she was also one of them, she resigned herself with her chicken condition and spent all her life in that farmyard.

In Chicken Soup for the Soul, from Jack Canfield and Mark Victor Hansen

Font

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Melancolia :: Melancholy

Quase dois meses se passaram desde a última vez que escrevi, de forma mais ou menos consistente, neste meu cantinho virtual - facto que dificulta, um bocadinho, o fluir da minha escrita, devo confessar. 

Tenho muitos posts preparados, em rascunho, mas como falho na sua publicação, quando volto a eles, parecem-me já fora de contexto. Outras vezes, as coisas que tenho para transmitir são tão intensas e/ou pessoais que me perco a tentar redigi-las, acabo por apagar tudo e ficar com elas só para mim.

Muita coisa, impossível de transcrever num simples texto, aconteceu, nos últimos meses. Em resumo: Fizemos novas amizades. Reconstruímos o nosso lar. Participamos em incontáveis playdates e playgroups com o S.  Concluímos a burocracia da obtenção da residência e carta de condução. Recebemos visitas. Fomos visitas. Conhecemos países novos. Sobrevivemos ao verão qatari. Festejamos o nosso título de campeões europeus, de uma forma muito especial. Fomos turistas no nosso próprio país. Preparamos o regresso às aulas, e estamos a lidar com ele, à nossa maneira. 

O tempo, de Junho para cá, passou muito rápido, o que não é mau sinal, certo? Parece mentira que estejamos, já, na minha segunda estação do ano favorita: o Outono. Para mim, há um romantismo qualquer nele, transcrevo-o em imagem, por falta de adjectivos que o façam por mim.

Neste meu post, trago um pouco de melancolia, porque biologicamente o meu corpo necessita de respirar Outono. De se arrepiar com o vento. De puxar pelas mantas. De sentir o fresco das primeiras chuvas. De sentir o quentinho da casa e o cheirinho, doce, vindo do forno. 

No Outono, reinicia-se o ciclo da natureza, silenciam-se os zuns zuns dos transeuntes, há um  abrandamento de ritmo natural, que propicia o recentramento, essencial à nossa evolução saudável.

Tudo isto uma miragem, literalmente, uma miragem... 

Sim, aproveitarei, gratamente, o que este lugar terá para me oferecer, nesta época do ano, mas o saudosismo presente no ADN de cada português, afinal também me habita, e aparentemente despoleta a cada Outono.
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sábado, 28 de maio de 2016

Viva o dia de amanhã :: Hurray for tomorrow's day

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Cinco meses de Qatar. E a vida vai-se, finalmente, ajeitando por aqui. 

Cinco meses a viver no limiar do cinzentão. (Emocional. Não meteorológico!) - Houve dias de puro desespero, em que temi pela minha boa sanidade mental. Juro que sim.
Posso admitir, já estar fora da red zone, e sei, perfeitamente, quem me manteve à superfície: Os livros, minha gente! (Romances, essencialmente).
Se há alguém que possa dizer, com toda a certeza, que os livros são os seus melhores amigos. Esse alguém, sou eu. Simplesmente, porque já fui salva por eles, muitas vezes...
É neles que me refugio nos momentos de angústia. São a única companhia que consigo tolerar (para além do silêncio). Eles têm sempre todas as respostas. E nunca fazem perguntas.

Evadir-me para uma realidade bem longínqua e distinta da minha, parece resultar comigo. 
Ler, ajuda-me a criar distanciamento da origem das minhas penas, assim que, quando regresso novamente a elas, me parecem ligeiramente mais leves.

Ainda bem que me vou cruzando com outras mães, acabadas de chegar, que se sentem de igual forma, desenraizadas e a construir mecanismos internos de adaptação à nova realidade - a partilha de experiências é das melhores coisas do mundo. A união que criam entre as pessoas, também.

Não quero com isto transmitir a ideia, e-r-r-a-d-a, de que esteja infeliz neste pais, emprestado. Nada disso! Muito pelo contrário. Sou infinitamente grata pela oportunidade que a minha família tem, por todas as experiências que nos dá diariamente, pela multi-culturalidade à nossa volta, pelas pessoas que se cruzam no nosso caminho, e que vou conhecendo melhor, todos os dias.
Gosto, antes, de pensar nesta fase inicial, como um custo de oportunidade. 

A realidade dos dias não se alterou, portanto. Ainda requer reajustamentos. Mas a chegada das nossas coisas, representou, indubitavelmente, o momento da mudança, no estado de espírito instalado.
Finalmente, a nossa casa parece-se menos com uma casa, e mais com um lar. A nossa vida parece-se  menos com a vida de campistas, e mais com a nossa.

Aquilo que demorei duas semanas a embalar, montei em 4 dias, completamente obstinada e focada no objectivo. Estava faminta de me sentir eu mesma, novamente. 
A vontade de criar está a regressar, devagarinho. O meu "atelier" já conheceu o seu novo espaço, e está satisfeito com ele; a minha cozinha, já preencheu todos os cantinhos vazios, e já podemos comer os "coaxões da mamã" ao pequeno-almoço.

O Salvador já pode dormir na cama dele e brincar com os seus carrinhos, com as suas pistas, com os seus puzzles e as tão desejadas "pastilinas" - que é como quem diz: Plasticinas.

E este, porém, foi o momento por que mais ansiei: Ver os seus olhinhos brilhar, ao abrir cada uma das suas caixas. Era como se nunca tivesse visto nenhum daqueles brinquedos antes.

Poderão não compreender a dimensão que isto teve para mim, mas, talvez, se vos disser que a última vez que desempacotei a minha "casa", tive que enfrentar um berço vazio, roupas que nunca puderam ser usadas, e por aí fora... eventualmente, compreendam que poderá, muito bem, ter sido um ajuste de contas com o passado... Desta vez, deu-me, realmente, um prazer desmesurado.

Viva o dia de amanhã! - Até porque, curiosamente, é o meu aniversário.

***************

Five months of Qatar, and life is finally settling.

Five months living in grey tons. - There were days of pure desperation, in which I feared for my good mental sanity. I swear it to you.
I can, now, admit, to be out of the red zone, and know, exactly, what kept me at surface: Books, folks! (Romances, essentially).
If there's anyone out there, who can say that books are our best friends, that would be me. Simply, because I was saved by them many times...
In times of distress, it's in the books, that I refuge myself. They're the only company that I can tolerate (apart from the silence). They, always, have all the answers. And they never ask questions.

Evading myself to a very distant and different reality from mine, appears to work for me.
Reading helps me creating distance from the origin of my pains, so that, when I return to them again, they seem slightly lighter.

I'm glad I meet some other moms, freshly arrived to the country, that feel the same way, uproot and building intern mechanisms to adapt to the new reality - the sharing of experiences is the best thing in the world. The union it creates between people, too.

This is not to convey the w-r-o-n-g idea, that I'm unhappy in this, borrowed, country. Not at all! Quite the opposite, actually. I am infinitely grateful for the opportunity that my family is having, for all  the experiences it gives us daily, for the multi-culturality around us and the people who crosses our path, and I get to know better, every day.
Instead, I like to think about this initial stage as an opportunity cost.

The reality of the days hasn't, then, changed much. It still requires readjustments. But the arrival of our belongings, represented, undoubtedly, a change in the installed state of mind. Finally, our house looks less like a house, and more like a home. And our life, seems less a camper's life, and more our own.

What took me two weeks to pack, I set up in four days. Completely focused on the goal. I was so hungry to feel myself again.
The desire to create is, slowly, returning. My "studio" met his new space, and is satisfied with it; my kitchen has already filled the empty corners, and we can now eat "Mummy's coaxões" for breakfast.

Salvador can now sleep in his bed and play with his cars, his tracks, his puzzles and the much desired "pastilinas" - that is to say: Play-doh.

And this, however, was the moment I yearned the most: Watch his little eyes shine, opening each of his boxes. It was like he had never seen any of those toys before.

You might not come to understand the scale that this event had on me, but perhaps if I tell you that the last time I unpacked my "home", I had to face an empty crib, clothes that had never being used, and so on... and then you can, eventually, understand that this may well have been a settling of accounts with the past... This time, gave me an, indescribable, pleasure.

Hurray for tomorrow´s day! - Because, oddly enough, it is my birthday.


Font IFont II

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

O meu pequeno tributo, a ti, avózinha :: My little tribute to you, dear Grannie.

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Apesar das, inacreditáveis, melhorias que foste mostrando, ao longo das últimas 4 semanas, bem cá no fundo, eu sabia que a nossa despedida tinha sido a última.
Eu sabia que não estarias mais aí, quando eu regressasse...

A minha garganta está seca. A minha cabeça aturdida. Os meus sentidos, definitivamente, adormecidos.
Enquanto escrevo este pequeno tributo a ti, querida avózinha. Fecho os olhos e imagino todo o cenário que te rodeia, neste momento. E... O facto de não fazer parte dele... pela última vez, é angustiante.

7,387 km separam-me de ti, querida avózinha, e do teu corpo, agora frio e sem vida...

Uma vida, outrora, cheia de trabalho. Sete filhos. Sete netos. 
Há quem diga que, o sete, é um número de sorte. Será avózinha? 

Sempre te conheci com rugas, mas sem cabelos brancos.
Sempre me lembro de tomares medicamentos, para alguma coisa.
Gostavas de comer de pé. Comer sentada, era para dias de festa
Gostavas de fazer crochet - e um considerável número de peças de arte sairam das tuas, ávidas, mãos.
Querias ser invisível, não querias dar trabalho aos teus filhos. E assim foi, enquanto não tiveste outra opção...
Não eras uma pessoa de riso fácil, mas todos sabemos, lá em casa, o que sempre te arrancava uma boa gargalhada... :)

Eras a minha paragem obrigatória à saída da escola. De vez em quando, tinhas um pudim flan, (dos velhotes),  à minha espera, naqueles pequenos copinhos, que mais ninguém tinha igual...
Obrigavas-me a ir ao terço, nas férias do verão. 
Sempre que fazias lentilhas, guardavas um prato para mim (ninguém, até hoje, me conseguiu fazer lentilhas como as tuas! E sopas de ovos? As tuas serão, para sempre, as melhores!)

Também é verdade que tinhas "mau feitio". Mas facilmente qualquer pessoa percebia, que tinhas o melhor coração do mundo. E quanto a esse reconhecido "mau feitio, tão característico teu... é o que, curiosamente, mais saudades nos vai deixar...

Contigo aprendi que do pouco se consegue fazer muito. Que do velho, se pode voltar a fazer novo.
"Guarda o que não presta, e, terás o que precisas", lembro-me.

"É preciso aprender a fazer de tudo, minha filha" - dizias-me tu, infindáveis vezes, - "nunca se sabe, quando te vai dar jeito." - E esta, sem saberes, foi, simplesmente, a melhor lição de vida, que me deixaste...

Nunca foste uma pessoa, extraordinariamente doce, a vida, simplesmente, nunca to permitiu...
Encaraste os teus dias como se de uma batalha se tratasse. A força, sempre foi o teu melhor aliado.

Sobreviveste à fome. Sobreviveste ao frio. Sobreviveste, a longas horas, de árduo trabalho. No verão, ao "esturreiro" do sol, (como tu dizias), no inverno, debaixo das "moscas brancas", (como tu dizias, também). 
Remendaste muita roupa. Secaste outra tanta, ao calor da lareira, para vestir no dia seguinte. 
Grávida ou não, o dia começava, sempre, antes do sol nascer, e terminava, sempre, ao pôr do sol. 
Sobreviveste à perda de 3 filhas, duas delas, antes dos seus três anos e meio de idade - no silêncio do teu olhar, soube que foste das únicas pessoas, que me compreendeu visceralmente).   

Viste partir de casa, sempre com coragem, cada um dos teus filhos. 
O teu ninho ficou vazio.
Não sei como lidavas com isso, à noite, deitada na tua almofada. Mas sei que rezavas. Sei que te confortavas com a esperança de que o Senhor olharia pelas tuas crias no teu lugar, nas suas aventuras e desventuras.

Nunca foste um livro aberto. Foste um livro que aprendi a desfolhar. 
Senti, por ti, muitas coisas diferentes, ao longo dos anos. Das quais, hoje, ficam acima de tudo: A admiração. E a certeza de que somos muito mais uma da outra, do que aquilo que alguma de nós pode imaginar. 
Estás inscrita em mim, no meu ADN, nas minhas memórias, nas memórias que vou querer perdurar, através da geração futura. Eu sou, sem ter consciência disso, o resultado de muitas das tuas vivências. Estás comigo hoje, como estiveste ontem, e estarás para todo o meu sempre.

Hoje descansas esse teu corpo cansado, massacrado, tão cheio de tudo aquilo que tinhas reservado para ti. 
Uma vida cheia, uma vida, verdadeiramente, cheia. 
Uma vida que nos deixa, agora,  esta imensa saudade e vazio. 
Uma vida que fecha, porém, o seu capítulo com sentido de missão cumprida. 

Recebe, querida avózinha, à entrada desse jardim celestial, o maior, e o mais sentido abraço de gratidão, desta tua neta, que te ama daqui até à lua, e da lua até aqui.

E uma vénia.
Sim. Uma vénia!
Porque foste uma Rainha! Um autêntico farol, nas nossas vidas.

Até sempre, querida avó.
Sofia

******************************

Despite the, unbelievable, improvements that you were showing, over the past four weeks, deep inside, I knew that our goodbye was to be the last.
I knew you wouldn't be there anymore for my return...

My throat is dry. My head dazed. My senses, definitely,  numb...
As I write this little tribute to you, dear granny, I close my eyes and imagine all the scenery around you right now. And... The fact that I'm no part of it... this last time. Is consuming.

7.387 km separate me from you, dear Grannie, and from your body, now cold and lifeless ...

A life, once, full of hard work. Seven children. Seven grandchildren.
Some people say that seven is a lucky number. Is it Grannie?

I've always known you with wrinkles. But none gray hair.
I always remember you taking some kind of medication, for some kind of pain.
You've always liked to have your meals standing - sitting was for festivity days.
You loved crochet - and a great number of art pieces, have, your avid hands, done.
You'd like to be invisible. Didn't want to bother your children, and so it was, until you're left with no other option...

You weren't an easy laugh person, but we all know, at home, what would, always, make erupt a great laugh out of you... :)

Your house was my mandatory first stop, when getting back home after school. Occasionally, you'd have a flan pudding, waiting for me on those tinny cups, that no one else had the same...
You'd forced me to go to chaplet mass everyday of my summer holidays.
Whenever you'd cook lentils, you'd always have a spare dish for me (no one, to this day, managed to cook lentils for me like you did! The same for your delicious egg and bread soup. Yours, will be forever and ever, the best!)

It's also true that you had a "bad temper". But anyone could easily realize you owned the biggest heart in the whole wide world. And regarding to that, well known and characteristic "bad temper, funny it is, that's exactly what we'll miss the most about you.

From you, I learned that from less, one can do much. From old, we can make new, again.
"Keep the damaged, and you'll find what you need," I remember you saying.

"You should learn how to do a little of everything, my dear " - you told me countless times - "you never know when it will be of use" - And this, without knowing, has simply been the best life lesson, you left me...

You've never been an, extraordinarily, sweet person. Life, simply, never allowed you to...
You faced your days as if they're a battle field. Your strength has always been your best ally.

Survived hunger. Survived cold. Survived long hours of hard work.
Mend many clothes. Dried so many others, for next day wear, in the warmth of the fireplace.
Pregnant or not, your day always began before sunrise, and always ended at sunset.
Survived the loss of three daughters, two of them, before they were three and a half years - in the silence of your eyes, I knew you were one of the few people who understood me viscerally).

You've seen your ducklings leave home, always with courage.
Your nest was empty.
I don't know how you've dealt with that at night, when resting your head on your pillow. But I know that your sleep was always induced by lots of prayers. I know this ritual filled you up of hope, hope,  that the Lord would look after your ducklings, on your absence. 

You've never been an open book. You've been a book I learned to leaf through.
I felt for you many different things, over the years. Which today are above all: Admiration. And the certainty that we are much more of each other than what any of us can imagine.
You're inscribed on me, in my DNA, in my memories, the memories that I want to keep on through future generation. I am, without being aware of it, the result of many of your experiences. You are with me today, as you were yesterday, and will be for the rest of the time I shall live.

Today, you rest that tired, and massacred, body of yours, so full of everything you had reserved for you...
full life, that leaves us with this immense longing and emptiness.
But a life that ceases its chapter, with a sense of accomplishment.

Receive, dear grannie, in that heavenly garden, the most tight hug of all, full of gratitude, from this  granddaughter of yours, who loves you from here to the moon and back.

And a bow.
Yes. A bow!
Because you were a Queen! A true lighthouse in our lives.

Until we see each other again, dear grannie.
Sofia



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sábado, 2 de janeiro de 2016

Novas páginas se levantam

Abrir um novo ano é como abrir um novo livro.
Somos seduzidos pela capa atraente, ficamos curiosos, lemos a contracapa, ficamos com um vislumbre do que vamos encontrar dentro. 
Depois mergulhamos nas suas páginas e somos surpreendidos por elas. 
Quando terminamos a última página tudo faz sentido - a capa, a contracapa, as notas introdutórias e as conclusões.  

A capa do nosso 2016 tem como titulo "Uma Aventura pelas Arábias", lemos a contracapa e estamos expectantes com as páginas por desfolhar. 
Sabemos que encontraremos muitos desafios pelo caminho (numa fase inicial, provavelmente mais até do que aqueles que antecipamos), mas vamos certamente colecionar também experiências maravilhosas e enriquecedoras.

Mas enquanto a mudança se organiza e acontece ao longo das próximas semanas, vivemos as despedidas intensamente. 
Descemos esta A1 em silêncio - um silêncio que se ouve em suspiros. 
No rádio toca "para os braços da minha mãe" . (Quão apropriado?)

E de suspiro em suspiro vamos verbalizando a lista de tarefas para os próximos dias, a vida segue em frente e não deixa muito espaço para nos entregarmos à saudade.

Reconforta-me pensar que por trás de um adeus vive sempre a esperança - a esperança do reencontro. 
E já agora, a esperança de que no final, tudo vai realmente fazer sentido. 

Font


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Uma questão de educação II

Se eu pedir delicadamente ao meu filho que apanhe o casaco que está no chão e o coloque em cima da cadeira e ele disser entusiasmado "ok, é para já mamã!" e sem mais, correr a executar o meu pedido, um observador externo ao assistir à sua prontidão, é capaz de se surpreender positivamente e pensar:  "olha que menino tão bem educado".

No entanto se o meu filho me pedir por exemplo:"mãe põe os meus monequinhos, se faz xavor" e eu largar o que estiver a fazer e lhe disser: "ok, é para já filhinho!", esse mesmo observador externo ajuizará tendencialmente: "este miúdo é um grande mimado, fazem tudo aquilo que ele pede".

Verdade ou mentira?

Quando é que a consciência global percebe que a criança aprende essencialmente com o nosso exemplo?
Que empatia teria ele afinal pelas minhas necessidades, se eu não mostrasse igualmente empatia pelas dele?

Quando a nossa resposta aos seus pedidos tem que ser negativa, não aceitarão melhor eles uma alternativa como:
Eu imagino o quanto tu deves estar ansioso por ver o episódio dos teus desenhos animados preferidos, mas sabes o que eu gostava mesmo que tu fizesses agora? Que me ajudasses a colocar estas roupas no lugar e a fazer o jantar, o que te parece? 
Do que um:
Já viste muitos desenhos animados hoje, já chega! Faz outra coisa qualquer. 
?...

Fonte

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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Uma questão de educação I



Sábado de manhã:

Um avô aparece com a neta de 20 meses no parque infantil, a menina muito entusiasmada, quer descer o escorrega desenfreadamente, tropeçando quase em cima dos outros meninos. 

- Ei, miúda de um raio! Então mas eu já não te disse que tens que esperar que o menino saia para tu desceres? 

- Oh deixe lá a menina! Foi sem querer não foi querida? Olha vamos fazer antes assim, dá cá a tua mãozinha.

- Não. Não. Vamos já embora. Eu estou farto de lhe dizer como é, mas isto minha senhora? Isto é teimosa!...

(A menina chora, tinha acabado de chegar e estava cheia de expectativas).

- Não vale a pena chorares, as meninas que são más não podem vir ao parque. Vamos já embora na minha frente.

(A menina corre em círculos, e chora ao mesmo tempo... e o avó cada vez mais desconcertado por falta de obediência da menina e preocupado com o que as pessoas pudessem pensar).

- Acabou-se o parque, não te trago mais aqui, miúda teimosa, é sempre a mesma coisa! Trago-te ao parque e depois portas-te mal.
bla bla bla, bla bla bla..

***

O meu coração fica tão apertadinho quando assisto a estas cenas... Isto soa-me tanto a violência...

Efectivamente uma menina de 20 meses não saberá muito bem quais as regras pela qual a sociedade em que se insere se rege, mas a única coisa de que ela precisa é que os adultos a guiem e lhe ensinem como deve proceder neste mundo ao qual veio parar, e no qual está a aprender a viver, mostrando-lhe essencialmente respeito e carinho durante o processo de aprendizagem, e não agindo como se ela já tivesse que ter nascido com o ship programado, catalogando-a à partida como uma pessoa má.

Provavelmente este comportamento recorrente da menina já se deve ao facto de saber que vem ao parque por períodos tão curtos de tempo, que o melhor é aproveitar, literalmente ao máximo, antes que alguém se lembre de dizer que ela fez alguma coisa de errado...

Nesta minha caminhada pela maternidade, assisto quase todos os dias a episódios como este, umas vezes mais intensos, outros menos, mas dolorosos de se ver, fico sinceramente chocada com a forma de educar em Portugal e percebo que o problema de um país, pode muito bem começar aquando dos primeiros passos...


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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Happy Thanksgiving!

Morasse eu nos EUA e estava tão doida como qualquer americano está neste dia.
Tenho mesmo muita pena que o Halloween se tenha entranhado na nossa cultura e o Thanksgiving não.

Dar Graças. Que bonito que é, simplesmente dar graças.

Que bom que seria se conseguíssemos dar graças todos os dias.
Menos mau seria se dedicássemos um único dia no ano para o poder fazer em uníssono, à volta de uma mesa.

Hoje tenho porque dar graças, hoje quero dar graças:
- por tudo aquilo que tenho,
- pelas portas que se me fecharam e pelas janelas que se me abriram,
- pelas pessoas que entraram e por tudo o que aprendi com as que partiram,
- por viver num país em paz,
- por nunca ter conhecido a fome,
- pela minha família - aquela que construí e aquela que me construiu,
- por todos os defeitos e imperfeições de que é feita, porque sem eles não saberia o que fazer de diferente,
- pelo conforto e desafogo,
- pela saúde que tenho e temos,
- pelos bons amigos que me encontraram pelo caminho,
- pelos sorrisos de alegria mas também pelas lágrimas de tristeza.
- pela resiliência de que sou feita,
- por todos os que fazem a diferença na minha vida,
- pelas experiências vividas e por aquelas que me aguardam.

Sou uma pessoa grata, sou uma pessoa um bocadinho mais feliz.

HAPPY THANKSGIVING!!
Font
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Pai Natal ou Menino Jesus?

Gostava que cheirasse a Natal há mais tempo por estes lados, no entanto a tranquilidade típica dos anos anteriores está longe de existir.

Eu que gosto tanto de preparar a época natalícia com a calma que ela merece, e aproveitar para reflectir pelo caminho no ano a terminar, dou comigo a planear a todo o gás o ano que se aproxima cheio de novidades e desconhecidos que têm tanto de excitante como de misterioso...

Ansiedades e afazeres à parte, o nosso Natal já arrancou e a nossa árvore já se encontra vaidosamente erguida desde o inicio da semana; lembrando-nos todos os dias da magia da sua energia e marcando o ritmo da época.

A coisa mais deliciosa de todas foi apreciar o despertar do Salvador para a quadra natalícia e toda a sua entrega e envolvimento, que nos apanhou totalmente desprevenidos pois não tínhamos ainda discutido o tema: Pai Natal ou Menino Jesus?

Ambos crescemos com o mito do Menino Jesus, que deixava - aos meninos que se portavam bem durante o ano - um presente no sapato, junto à chaminé.

Lembro-me de ter lutado algumas noites contra o sono para o ver chegar, mas um sono profundo acabava sempre por tomar conta de mim e nunca o consegui apanhar. 
Colocava estratégicamente o meu sapato junto a lareira para que visse primeiro o meu, e só depois o do meu irmão.
Sonhava todas as noites com todas as possibilidades de presente que ele me poderia trazer (na altura o Menino Jesus trazia o que ele podia trazer e não o que nós gostássemos que ele trouxesse...) e muitas vezes para desgosto nosso, recebíamos umas meias ou uma peça de roupa nova...

Já bem próxima dos meus 8 anos, a imagem do Pai Natal invadiu o meu imaginário. 
Talvez hoje uma criança dessa idade já nem acredite no Pai Natal, mas há 25 anos atrás, numa região isolada deste nosso Portugal,  eu ainda sonhei muito com ele, e provavelmente ainda teria continuado a sonhar não fosse a minha querida prima C quebrar o encantamento naquela fria e épica noite em que brincávamos junto ao pelourinho, e eu interrompia constantemente o jogo para olhar para o céu e ver o Pai Natal que poderia passar a qualquer instante. 

Não há dúvidas de que o Natal é das, e para as crianças, são elas que lhe dão o maior significado e magia - pela sua inocência, pelos seus sonhos, pela sua criatividade - que nos contagiam até ao mais profundo do nosso ser. 

Acima de tudo queremos deixar intacta a capacidade de sonhar do Salvador, e por esse motivo decidimos guardar o mito do Menino Jesus nas nossas memórias mais doces e bendizer aquele misterioso senhor de barbas brancas, que mora no Polo Norte, viaja num trenó puxado por dezenas de renas  e carrega num gigante saco vermelho os brinquedos para as crianças do mundo inteiro.  

Afinal de contas, que sentido teria falar-lhe de um Menino Jesus que ele nunca conseguiria visualizar dada a pressão social sobre o seu homologo? E afinal não será o Pai Natal a melhor das mentiras piedosas, dado que quem dá as prendas é mesmo o "Pai" no dia de Natal

Neste sentido, já demos inicio ao mito que ele vai construir: a carta já foi escrita e colocada no correio, neste momento ainda está em trânsito e por isso o Pai Natal ainda aceitou uma troca de última hora, dado o pedido especial que o papa fez telefonicamente numa chamada para o Polo Norte, de impulsos elevadíssimos e portanto irrepetível...
O Pai Natal chegará na noite de 24 de Dezembro à casa da avó T e do avô L e vamos todos certamente delirar com ele. 

WOW!! - Just let's the Christmas season begin! 
🎄❤️🎅🏻


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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Vida para além da vida :: Life beyond life

Neste quinto aniversário da tua partida, querido Alexandre, não quero falar da tua morte, pois como sabes, nunca estiveste verdadeiramente morto em nós, nem sei se algum dia vais estar...

Independentemente da tristeza que eu possa sentir hoje, quero antes falar da tua vida!

Da vida que deixaste conosco. Desse novo fôlego. Da injecção de nova esperança. Da beleza que cada minuto tem, e nos ensinaste a beber devagarinho.

És a nossa estrelinha mais brilhante neste céu imenso cheio de constelações!

E é por isso que continuas a brilhar nas nossas vidas, mas também a fazer a diferença na dos outros. 
"É passinho a passinho que se faz o caminho"
Conheçam os projectos, e o nosso testemunho em: Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e plataforma Cuidando Juntos, que precisa da ajuda de todos nós.

Obrigada querida J, por todo o carinho, pelo ser maravilhoso que és e por toda a dedicação que colocas nesta causa.
"Que a felicidade nos encontre  um bocadinho todos os dias"

****************************

On this fifth anniversary of your departure, dear Alex, I don't want to talk about your death, because as you know, you've never been truly dead within us, and don't know if you'll ever be...

No matter how sad I might feel today, I rather prefer talking about your life!

The life you left inside us. This new breath. This new injection of hope. 
The beauty there is in every minute, which you taught us how to drink slowly.

You are our brightest star in this immense sky full of constellations!

And that's why you continue to shine in our lives everyday, and making a difference in someone else's.
"Are the small steps that make the way"
Know the projects, and our testimonial in: Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos and Cuidando Juntos platform, which needs our support.

Thank you dear J, for all the love, for being such a wonderful person and for all the dedication you put into the cause.
"May a little happiness find us every day"

#Font

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terça-feira, 2 de junho de 2015

Direito a ser Criança :: Right to be a Child

Eu cuido, mimo, beijo, limpo lágrimas, abraço e amo muito o meu filho todos os dias.
Quando nos dizem que existe um Dia Mundial dedicado às crianças, então pára-se e aprecia-se ainda mais esta dádiva. 

Gosto muito da seguinte declaração da Madre Teresa de Calcutá:

"Queres fazer algo para promover a paz no mundo? Vai para casa e ama a tua família." 

Mais do que um pensamento este é para mim um farol, uma ideia poderosa, que mudaria realmente o mundo se usada em grande escala.

Um dia mundial de qualquer coisa não existe porque sim, existe porque faz sentido existir, existe porque as mentes ainda necessitam de ser despertadas de alguma forma. 

Não sei o que o futuro reserva para o meu sementinha, mas sei que o agora é o mais importante que tenho para lhe dar. O meu tempo, o respeito, a compreensão, a sensibilidade, a paciência, o carinho e sempre, sempre o meu amor. 

O Salvador ainda não sabe o que é o Dia Mundial da Criança, nem tampouco faz ideia que ao lado dele existem crianças que não têm um LAR e pais que cuidem deles, nem tampouco sabe que a milhares de quilómetros existem crianças a lutar pela sua sobrevivência todos os dias, a servir lutas armadas e/ou espirituais, a sofrer na expectativa de uma família as aceitar no seu seio.

Esta é uma data em que gosto de reflectir. Reflectir faz bem. Faz-nos voltar a colocar os pés no chão - penso que todos temos a tendência de os levantar ligeiramente - mas se por um lado é bom sonhar e conquistar mais além, também é bom identificar de onde partimos e reconhecer que existe uma gratidão imensa a declarar por aquilo que temos a sorte de ter e que tantos milhares não têm.

Se me fosse dada uma varinha de condão e eu pudesse fazer apenas um pedido esse pedido seria, que as palavras da Madre Teresa se fizessem realidade em todos os lares deste mundo.


**************************

I nurture, kiss, wipe out tears, hug and love my son every day, but when we are told that there is a World Day dedicated to the Children*, then we stop everything we are doing and appreciate even more this blessing.

I love the following statement of Mother Teresa of Calcutta:
"What can you do to promote world peace? Go home and love your family."

More than a thought, for me this is a lighthouse, a powerful idea, that really could change the world if used on a larger scale.

A global day of anything does not exist just because, it exists because it makes sense, it exists because our minds still need to be awakened in some way.

I don't know what the future holds for my son, but I do know that now is the most important thing I have to give him. My time, respect, understanding, sensitivity, affection, patience, caring and always, always my love.

Salvador is too young to know what the International Children's Day means, he also has no idea that  not far from him there are children who haven't got a HOME or parents who care for them, and that thousands of kilometers from him, children fight for their survival every day, serve armed or spiritual struggles, suffer by the despair of a family which accepts them.

This is a date I like to reflect about. Reflecting is good, brings us back to earth - I think we all have the tendency to lift up a bit - but if it is fairly good to dream and achieve further, it is equally good to identify our starting point and recognize that there is an immense gratitude to declare for what we  have and many thousands have not.

If I was given a magic wand and could make a wish, my request would be that Madre Teresa's words become reality in every home of this world.

*International Children's Day in Portugal is 1st June

Porque a minha mente apaga com facilidade momentos antigos em detrimento dos actuais, não me quero esquecer que o nosso dia, antes do ritual de dormir, terminou conosco bem juntinhos no sofá a ver o recém chegado à caixa do correio - Spirit - Espírito Selvagem.
A banda sonora aqueceu os nossos corações, a mamã chorava com frequência e tu não sabias porquê, não sei se percebeste a mensagem mas gostei de te ver vibrar com a conquista da liberdade do Spirit.

Prometo-te uma vez mais meu pequenino, que não te encherei de brinquedos, mas sim de pequenos, mas bonitos momentos - daqueles que poderás levar para todo o lado - no teu coração. 

Because my mind forgets easily the past events to hold the current ones, I don't want to forget that our day, before bedtime ritual, ended up with us holding each other on the couch watching the newcomer to the mailbox - Spirit - Stallion of the cimarron.
The soundtrack warmed up our hearts, Mom cried often and you didn't know why, I'll never know if you understood the message but I loved to see you vibrating when Spirit conquered his freedom.

I promise you once again my little one, that I will not fill you up with toys, only with small but beautiful moments - those that you can carry with you everywhere - in your heart.


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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Diálogo ou monólogo? :: Dialogue or monologue?

De todas as redes sociais, a minha favorita é o Instagram, um ambiente visual muito clean, sem publicidade, de partilha fácil e imediata, resumida ao essencial.
Uma foto, um momento, um pensamento, um sentimento, uma descoberta, um álbum de memórias que adoro rever, tanto como este blog.

A história que decidi publicar hoje é do Dr. Wayne Dyer e descobri-a na conta da @ellenfisher, uma mãe vegan, que me inspirou com a sua vida tão diferente da minha.


"No ventre de uma mãe estavam dois bebés. Um perguntou ao outro:" Tu acreditas que há vida após o parto?" O outro respondeu: “Claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estejamos aqui para nos prepararmos para o que seremos mais tarde.""Isso não faz sentido", disse o outro. "Não há vida após o parto. Como seria essa vida?""Não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez a gente consiga andar com as nossas pernas e comer com as nossas bocas."O outro disse: "Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com as nossas bocas? Ridículo. O cordão umbilical fornece a nossa nutrição. Vida após o parto é para ser excluída. O cordão umbilical é muito curto.""Eu acho que há algo e talvez seja diferente do que é aqui."O outro respondeu: "Jamais alguém voltou de lá. O parto é o fim da vida, e no pós-parto não há nada para além da escuridão e ansiedade, e isso não nos leva a lugar nenhum.""Bem, eu não sei", disse o outro, "mas certamente veremos a nossa mãe e ela vai cuidar de nós." "Mãe?! Tu acreditas na mãe? Onde está ela agora?""Ela é tudo o que nos rodeia. É nela que vivemos. Sem ela, não haveria este mundo.""Eu não a vejo, por isso é lógico que ela não existe."Ao que o outro bebé respondeu: "Às vezes, quando estás em silêncio, podes ouvi-la, podes percebe-la. Eu acredito que há realidade após o parto e nós estamos aqui para nos preparar para essa realidade."*

Dr. Wayne Dyer; Your Sacred Self

Tão, mas tão lindo, tão mas tão puro, tão mas tão verdadeiro. Um pouco de todos nós nesta alegoria, tantas análises possíveis em aberto... Adoro! 

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From all the social networks, my favorite is Instagram, visually clean, no advertising, easy and immediate sharing, reduced to the essential.
A photo, a moment, a thought, a feeling, a discovery, an album of memories that I love to revisit, as much as this blog.

The story that I decided to post today is from Dr. Wayne Dyer, and I found it on @ellenfisher 's account, a vegan mother, who inspired me with her lifestyle, so different from mine.

"In a mother's womb were two babies. One asked the other: "Do you believe in life after delivery?"The other replied, "Why of course. There has to be something after delivery. Maybe we are here to prepare ourselves for what we will be later.""Nonsense," said the other. "There is no life after delivery. What would that life be?""I don't know, but there will be more light than here. Maybe we will walk with our legs and eat from our mouths."The other said, "This is absurd! Walking is impossible. And eating from our mouths? Ridiculous. The umbirical cord supplies nutrition. Life after delivery is to be excluded. The umbilical cord is too short.""I think there is something and maybe it's different than it is here."The other replied, "No one has ever come back from there. Delivery is the end of life, and in the after-delivery it is nothing but darkness and anxiety and it takes us nowhere.""Well, I don't know," said the other, "but certainly we will see mother and she will take care of us." "Mother?! You believe in mother? Where is she now?""She is all around us. It is in her that we live. Without her, there would not be this world.""I don't see her, so it's only logical that she doesn't exist."To which the other baby replied, "Sometimes when you're in silence, you can hear her, you can perceive her. I believe there is reality after delivery and we are here to prepare ourselves for that reality.”


Dr. Wayne Dyer; Your Sacred Self


So, but so beautiful, so, but so pure, so, but so true. A bit of us all in this allegory, so many open possibilities for analyzes...  Love it!



Image font

*Minha tradução/My translation

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